domingo, 24 de junho de 2018

As Redes Sociais e o fim das relações como conhecemos


Com certeza a resistência faz parte de toda evolução, acredito que os homens das cavernas, em suas inscrições rupestres nunca imaginaram escrever pergaminhos, e poder se comunicar expressando detalhes e minúcias sem a estática de um lugar fixo, tendo a informação circulando e não mais em paredes de cavernas, pedras, ou outros recursos utilizados na época.
Assim como na evolução e exercício da linguagem falada e escrita, a interação entre os indivíduos, o compartilhamento das ciências, a organização da sociedade, a divisão do trabalho, veio permitindo a humanidade manter registrado o já descoberto e a busca pelo novo.
Evoluímos de pombos a uma malha complexa de entregas, e depois para outra malha ainda mais complexa chamada internet, que inegavelmente possibilitou um salto de desenvolvimento em escalas geométricas.  Os questionamentos que ficam são infinitos, destaco alguns: será que foi rápido demais? As pessoas estão sabendo lidar com a projeção da sua produção de conteúdo? Mais que isso, estamos dispostos a viver virtualmente? Ou ainda, deixaremos algoritmos nos gerenciar?
Somos bombardeados diariamente com uma gama de informações tanto verdadeiras  quanto falsas, tendenciosas, muitas fora de contexto, e também de fontes duvidosas, pelos mais variados veículos de telecomunicações. Informações essas que formam o caráter dos nossos filhos, nos mantêm alienados, desperta e adormece gigantes conforme sua vontade, dita modas e padrões de consumo.
Bom, e a culpa é de quem? Não sei, também não faço ideia que alguém saiba o porquê da existência, povoamos freneticamente como qualquer outro hospedeiro, programados a nível genético,  com ações e reações primitivas, sinápticas e automáticas. Claro, temos a oportunidade de nos moldar, e buscar crescimento a nível pessoal e espiritual, mas existem starts que despertam esses algoritmos inatos de cada espécie. Ãhn?!... Bom, é isso mesmo, tendemos a seguir padrões, resposta a um dos questionamentos anteriores, somos gerenciados por algoritmos orgânicos, religiosos, culturais, entre tantos que já existem ou vem sendo criados e inseridos em nosso inconsciente coletivo.
Estamos caminhando em direção a habitar um avatar, ou até mesmo equipamentos de armazenamento de dados, como os braindrives.  Já que nossas relações hoje em dia são majoritariamente virtuais, e a cada dia surgem mais e mais ferramentas visando tornar nossas vidas mais ágeis, inegavelmente encurtando distancias e em contrapartida necessitando de menos movimento. Tomam conta das mais diversas áreas, acompanham batimentos cardíacos, ensinam e promovem momentos para respirar, armazenam nossa agenda telefônica e  de compromissos, tudo chega via delivery, trocamos incontáveis mensagens instantâneas, vivíamos de Facebook e hoje de Instagram, dentre milhares de outros.

Incomoda-me muito a obrigação de ter que externar virtualmente os sentimentos, os status de relacionamento, curtir, comentar. É a chance de estar próximo de todos aonde quer que estejam, mas também distancia os que estão próximos, vejo muitas pessoas  vivendo no mesmo ambiente mas, cada um dentro de sua realidade alternativa.  A obsolescência da realidade dando lugar a realidade virtual, que vem chegando com toda força não, já esta  instalada. É muito cômodo e tranquilizador viver uma Matrix tendo esse mundo que observamos pela janela como uma realidade que não nos pertence. Alimentando as redes de ego, e fingindo não ver todo o resto.

Eu sou da resistência, não alheio.

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