Com certeza a resistência faz parte de toda evolução,
acredito que os homens das cavernas, em suas inscrições rupestres nunca
imaginaram escrever pergaminhos, e poder se comunicar expressando detalhes e minúcias
sem a estática de um lugar fixo, tendo a informação circulando e não mais em
paredes de cavernas, pedras, ou outros recursos utilizados na época.
Assim como na evolução e exercício da linguagem falada e
escrita, a interação entre os indivíduos, o compartilhamento das ciências, a
organização da sociedade, a divisão do trabalho, veio permitindo a humanidade manter
registrado o já descoberto e a busca pelo novo.
Evoluímos de pombos a uma malha complexa de entregas, e depois
para outra malha ainda mais complexa chamada internet, que inegavelmente possibilitou
um salto de desenvolvimento em escalas geométricas. Os questionamentos que ficam são infinitos,
destaco alguns: será que foi rápido demais? As pessoas estão sabendo lidar com
a projeção da sua produção de conteúdo? Mais que isso, estamos dispostos a
viver virtualmente? Ou ainda, deixaremos algoritmos nos gerenciar?
Somos bombardeados diariamente com uma gama de informações tanto
verdadeiras quanto falsas, tendenciosas,
muitas fora de contexto, e também de fontes duvidosas, pelos mais variados veículos
de telecomunicações. Informações essas que formam o caráter dos nossos filhos,
nos mantêm alienados, desperta e adormece gigantes conforme sua vontade, dita
modas e padrões de consumo.
Bom, e a culpa é de quem? Não sei, também não faço ideia que
alguém saiba o porquê da existência, povoamos freneticamente como qualquer
outro hospedeiro, programados a nível genético,
com ações e reações primitivas, sinápticas e automáticas. Claro, temos a
oportunidade de nos moldar, e buscar crescimento a nível pessoal e espiritual,
mas existem starts que despertam esses algoritmos inatos de cada espécie. Ãhn?!...
Bom, é isso mesmo, tendemos a seguir padrões, resposta a um dos questionamentos
anteriores, somos gerenciados por algoritmos orgânicos, religiosos, culturais,
entre tantos que já existem ou vem sendo criados e inseridos em nosso inconsciente
coletivo.
Estamos caminhando em direção a habitar um avatar, ou até
mesmo equipamentos de armazenamento de dados, como os braindrives. Já que nossas
relações hoje em dia são majoritariamente virtuais, e a cada dia surgem mais e
mais ferramentas visando tornar nossas vidas mais ágeis, inegavelmente
encurtando distancias e em contrapartida necessitando de menos movimento. Tomam
conta das mais diversas áreas, acompanham batimentos cardíacos, ensinam e
promovem momentos para respirar, armazenam nossa agenda telefônica e de compromissos, tudo chega via delivery, trocamos
incontáveis mensagens instantâneas, vivíamos de Facebook e hoje de Instagram,
dentre milhares de outros.
Incomoda-me muito a obrigação de ter que externar virtualmente
os sentimentos, os status de relacionamento, curtir, comentar. É a chance de
estar próximo de todos aonde quer que estejam, mas também distancia os que
estão próximos, vejo muitas pessoas vivendo no mesmo ambiente mas, cada um dentro
de sua realidade alternativa. A obsolescência
da realidade dando lugar a realidade virtual, que vem chegando com toda força não,
já esta instalada. É muito cômodo e tranquilizador
viver uma Matrix tendo esse mundo que observamos pela janela como uma realidade
que não nos pertence. Alimentando as redes de ego, e fingindo não ver todo o resto.
Eu sou da resistência, não alheio.